Marielle foi vítima de uma execução política feita sob a proteção da intervenção militar

Leia abaixo a declaração do Partido da Causa Operária distribuída no ato de ontem à noite no Rio de Janeiro:

A vereadora do Psol, Marielle Franco, foi executada na noite desta quarta-feira (14). Ela é vítima de um assassinato político.

Foi morta com quatro tiros na cabeça, disparados de um carro que se emparelhou ao seu no bairro do Estácio, quando saía de uma atividade na Lapa. Um assassinato como este é uma marca registrada da polícia, e não do tráfico de drogas ou de um bandido qualquer.

Marielle, que denunciou em diversas oportunidades os assassinatos cometidos pela Polícia Militar contra o povo negro, pobre e trabalhador nas favelas do Rio, foi escolhida como uma das relatoras da comissão criada na Câmara dos Vereadores para monitorar a intervenção militar.

Assim como não se trata de uma intervenção para solucionar o problema da “segurança pública” no Rio, o assassinato de Marielle não é simplesmente parte do genocídio do povo negro que ocorre cotidianamente em todo o país.

Marielle foi calada. Com esse ato, seus executores estão intimidando todos aqueles que denunciem a violência da polícia e a intervenção militar.

A Polícia, que está por trás do seu assassinato, está agora sob o comando do Exército. E, uma vez sob o comando dos militares, mais ainda do que antes, a coorporação não vai aceitar nenhuma oposição, nenhuma denúncia.

Muitos disseram que a ditadura militar só ia atrás dos “comunistas” e dos “terroristas”, deixando o “cidadão de bem” em paz. É mentira. Os militares mataram muita gente, talvez milhares de pessoas, que não tinham nada com isso, com exemplos claros como a morte de Zuzu Angel e do próprio ex-presidente João Goulart.

É preciso denunciar amplamente a ação criminosa da polícia, responsável por inúmeras mortes nas favelas do Rio e de todo o País.

É preciso denunciar a intervenção militar no Rio, que é parte da operação para impor uma verdadeira ditadura sobre todo o País.